
Há tempos penso em escrever sobre os filmes que vejo e minhas impressões. O empurrão veio com "A menina no país das maravilhas"(
Phoebe in wonderland), uma inspiração.
Com
direção sensível de Daniel
Barnz(
The Cutting Room), o filme retrata o dia-a-dia de uma menina presa dentro de seu
próprio mundo regrado, e sua nova obsessão: Alice no pais das maravilhas.
O longa, apesar de ter passado por aqui sem nenhum
estardalhaço acerta em quase tudo, e impressiona pela qualidade. Um filme feito de
atores.
Liderado pela brilhante
Elle Fanning(sim, é irmã da
Dakota), com uma
atuação extremamente madura para
alguem de sua idade(ela tinha apenas 9 anos quando filmou) o
time segue com tipos interessantes que fluem de maneira bastante
transparente. Os pais da menina de imaginação fértil passam por uma grande pressão tentando entender e reverter o processo de mutação da jovem, e tal sofrimento é bem representado por
Felicity Huffman(indicada ao
oscar por "
Transamerica") aqui, no papel da mãe que se culpa pelas dificuldades de suas filhas. Bill
Pullman(estava sumido) faz a vez do pai, que diante do resto do elenco passa meio batido mas não decepciona. A obsessão de
Phoebe por Alice tem inicio na escola, onde o musical será encenado e a nova professora de artes
dramaticas, um tipo bizarro e
estereotipado- que passa a ser interessante, devido a
atuação hipnotizante de
Patricia Clarkson(indicada ao
oscar por "Do jeito que ela é")- abre inscrições para o teste de elenco.
Apesar da temática forte o longa se desenrola de maneira leve e sem grandes
pretenções ou levantamento de bandeiras.
Elle Fanning como eu disse é brilhante e como quase que sem querer rouba todas a cenas em que participa, seja calada ou desenvolvendo um diálogo de questionamento adulto
pelo prisma de uma criança. Prova disso é a cena em que conversa à beira do muro com seu colega da peça(
Ian Coletti, carismático) após o primeiro ensaio,
instigante. E a comovente passagem em que pede pela mãe no meio da noite, a veracidade do seu sofrimento é tamanha que causa arrepios naqueles que ousam mergulhar na
estória.
Mas como nem tudo é maravilhas, o filme faz um paralelo entre a realidade e as fantasias da aspirante a
atriz, os devaneios parecem não funcionar para os espectadores tão bem como funcionam para a
protagonista, apesar de necessários em alguns momentos, em outros não "colam" e se tornam
sobressalentes.
Indicado ao grande
prêmio do
juri no festival de
Sundance a fita encanta e mostra uma perspectiva interessante sobre a vida.
"Ouse transformar a realidade em sonho"
Mergulhe.
Rafa
Hernandes.
Trailer: